SUSPEITOS OU CONFIRMADOS

 

RESULTADOS TERAPÊUTICOS DA HOMEOPATIA EM PACIENTES SUSPEITOS OU CONFIRMADOS DE COVID-19 NO BRASIL 

PROTOCOLO PARA ESTUDO OBSERVACIONAL PROSPECTIVO

Flávio Dantas, São Paulo, 2020

Apresentação

“... O Estado, no futuro, depois de compreender a indispensabilidade de medicamentos homeopáticos perfeitamente preparados, fará com que sejam preparados por uma pessoa competente e imparcial a fim de dá-los gratuitamente a médicos homeopatas treinados em hospitais homeopáticos, que tenham sido examinados teórica e praticamente e, assim, legalmente qualificados. O médico pode então se convencer desses instrumentos divinos de curar e também dá-los gratuitamente a seus pacientes, ricos ou pobres.”
Samuel Hahnemann, Organon da Arte de Curar, § 271, 6ª edição.

A pandemia de COVID-19 vem trazendo muito sofrimento à humanidade, afetando milhões de pessoas e levando à morte outras milhares, em sua maioria idosos ou com doenças pré-existentes. Epidemias são recorrentes no mundo, e provocam crises nos sistemas de saúde, gerando ao mesmo tempo oportunidades para o desenvolvimento de novas alternativas de prevenção e resolução. 

A homeopatia tem sido usada historicamente em epidemias, desde a época do seu criador, com resultados aparentemente favoráveis em comparação à terapêutica da época segundo relatos de vários autores. Faz-se necessária, porém, a obtenção de informações advindas de um maior número de pacientes tratados com medicamentos homeopáticos, por profissionais capacitados, em tais momentos epidêmicos para uma melhor avaliação de sua efetividade na prática. Os estudos de resultados terapêuticos se constituem numa oportunidade barata e de execução mais fácil para avaliação de desfechos clínicos de interesse dos médicos e dos pacientes. Suas informações poderão ser muito úteis para o planejamento de estudos mais rigorosos e controlados para avaliação da eficácia e do potencial de reduzir a transmissibilidade dos medicamentos homeopáticos em surtos epidêmicos. 

Este protocolo de pesquisa, com o estímulo da AMHB, foi elaborado com o propósito de contribuir para a coleta de informações, em maior quantidade e melhor qualidade, sobre os efeitos do tratamento homeopático em pacientes suspeitos ou confirmados de COVID-19. Está orientado para o benefício dos pacientes e a melhoria da atenção à saúde numa perspectiva coletiva, aberto a diferentes condutas médicas homeopáticas e centrado nos conceitos fundamentais da homeopatia (princípio da semelhança e uso de medicamento diluído e dinamizado adaptado a cada paciente), além de ser simples e ao mesmo tempo rigoroso em sua concepção. O formulário de relato de caso foi elaborado com base em escalas clinimétricas, uma delas adotada pela OMS, para avaliar os desfechos mais importantes da COVID-19 em ensaios clínicos. 

É uma modesta contribuição, embasada em pesquisa de pós-doutorado no Royal London Homeopathic Hospital em 1995/1996 que desenvolvi junto com o seu Diretor de Pesquisa, Dr. Peter Fisher, amigo e brilhante pesquisador que nos deixou precocemente, a quem dedico este esforço de construção coletiva de conhecimento pela comunidade homeopática. Este protocolo pode ser utilizado livremente por qualquer médico homeopata, e adaptado às necessidades de cada realidade, sem necessidade de permissão prévia pelo autor. A União faz a força, e saber e não-fazer é ainda não saber. 

Espero que seja um instrumento a ser aplicado para geração de informações clínicas mais confiáveis e válidas que ajudem a restabelecer a saúde dos pacientes com COVID19 tratados pela homeopatia. Ou ser útil para futuras ocasiões, em linha com o ditado chinês que alerta para cavar o poço bem antes de sentir sede. 

Num momento tão difícil para os profissionais da saúde, confrontados entre a ganância e ambição de alguns e o sofrimento intenso de milhões de pacientes e familiares, vale a pena recordar a honestidade, desprendimento material e correção ética do fundador da homeopatia, então com 73 anos e bem consciente das tentações do dinheiro sobre os médicos, ao escrever no prefácio de sua nova obra sobre doenças crônicas, em 1828: “Se eu não soubesse para qual propósito eu fui colocado na terra – tornar-me melhor o máximo possível e tornar melhor todas as coisas ao meu redor que estão dentro do meu poder de melhorar – eu deveria me considerar como bastante desprovido da prudência mundana em tornar conhecido para o bem comum, antes mesmo de minha morte, uma arte que eu sozinho domino, e que está dentro do meu poder para torna-la tão lucrativa quanto possível ao simplesmente mantê-la secreta”. 

Flávio Dantas; CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/7986022223936058

Estudo preliminar de sintomas e medicamentos prevalentes na atual pandemia de COVID-19 no Brasil, efetuado pelo Comitê Especial de Pesquisa COVID-19 da AMHB com coleta de dados de 27 pacientes com diagnósticos laboratorialmente confirmados Resultados terapêuticos da homeopatia em pacientes suspeitos ou confirmados de COVID-19 no Brasil: Protocolo para estudo observacional prospectivo (81,5% deles no primeiro estágio e os demais com sintomas e sinais do segundo estágio)identificou como sintomas mais frequentes a fraqueza, febre, tosse, sudorese, cefaleia, ageusia/disgeusia/anosmia. Após análises repertoriais e estudo comparativo da matéria médica homeopática, foram apontados cinco medicamentos com potencial para prescrição em doentes no primeiro estágio: Arsenicum album, Bryonia alba, China officinalis, Chininum arsenicosum e Phosphorus, a serem melhor individualizados conforme a sintomatologia apresentada pelo paciente. A continuidade desta pesquisa poderá sinalizar para medicamentos que poderão ser mais úteis para uma prescrição com propósito preventivo, em linha com a projeção de Hahnemann de que “um remédio, que é capaz de rapidamente bloquear uma doença em seus primórdios, deve ser o seu melhor preventivo”, merecedora de estudos rigorosos e muito bem planejados 41  

O exercício de uma boa prática médica está amparada na competência profissional, e esta por sua vez no uso criterioso da verdade científica com a correta intenção ética. A homeopatia existe para ajudar a proteger e restabelecer a saúde das pessoas doentes, de modo racional e seguro. A pesquisa clínica em homeopatia, na perspectiva da medicina embasada na competência42, deve propiciar informações relevantes que sejam cada vez mais válidas e úteis, num processo de desenvolvimento progressivo de estudos observacionais, quase-experimentais e experimentais controlados e randomizados, para ajudar os médicos homeopatas a aliarem conhecimentos técnicos à sua bem reconhecida competência interpessoal. 

Diante desta situação combinada de incerteza, da urgência de alternativas para redução de danos e da inexistência de opções terapêuticas rigorosamente testadas, abre-se a oportunidade para observação clínica, feita de forma criteriosa, por médicos que se valem de medicamentos homeopáticos em sua prática clínica para avaliação dos desfechos decorrentes de suas intervenções, a serem realizadas em geral nos pacientes que já se tratavam regularmente sob sua responsabilidade, nos moldes usuais de atendimento médico. Adicionalmente o estudo pode servir como modelo auto-educativo para a incorporação de procedimentos de sistematização de informações na prática clínica dos médicos envolvidos. Apesar de estar situado no nível intermediário da hierarquia de força de estudos médicos, os estudos de resultados terapêuticos (outcomes research) são um tipo de estudo com razoável viabilidade técnica e econômica que poderá servir como preparatório para estudos de efetividade ou eficácia mais rigorosos e controlados, já propostos para a realidade do COVID no Brasil43 ,que inclusive possam vir a se expandir e avaliar eventuais efeitos protetores do tratamento homeopático durante epidemias.

Resultados terapêuticos da homeopatia em pacientes suspeitos ou confirmados de COVID-19 no Brasil: Protocolo para estudo observacional prospectivo controlados, já propostos para a realidade do COVID no Brasil43, que inclusive possam vir a se expandir e avaliar eventuais efeitos protetores do tratamento homeopático durante epidemias.

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